sexta-feira, 27 de março de 2015

DO IMPÉRIO DO BENIM À FLORESTA DE SÃO BARTOLOMEU - CONTO PARADIDÁTICO

DO IMPÉRIO DO BENIM
À FLORESTA DE 
SÃO BARTOLOMEU

(CONTO PARADIDÁTICO
 INFANTO-JUVENIL, 
PARA SE TOMAR GOSTO 
PELA LEITURA CRÍTICA) 


Olavo da Penha Cazumbá

Nunca tínhamos saído tão alegres dos Alagados, em Salvador, para passar o dia fora, como naquele domingo do verão de 1950. Ainda hoje eu me lembro, apesar da memória já calejada pelos vincos da idade. Coisas que marcam a nossa história afetiva, dificilmente a gente esquece, não é mesmo? [Bem, neste caso eu me vali também de antigas anotações no meu diário de criança.]

Fomos em cinco. Além de meus pais e eu, juntaram-se também tia Nenca e o marido dela, tio Nô.
Sempre saíamos a passeio, pelo menos uma vez por mês, e ir para a roça de Vô Izidoro, às margens do rio do Cobre, na floresta de São Bartolomeu, era sempre uma experiência fantástica. Lá eu vivia minha outra infância. Brincava no chão firme, sem rédeas, sem noções de perigo, sem nãos, sem sandálias.
Não era tão longe das palafitas onde morávamos, mas o trajeto postulava diversos meios de transporte, senão não chegaríamos antes do meio dia.
Um canoeiro amigo de pai nos levou até a primeira estação ferroviária do Subúrbio, a de Santa Luzia. De lá pegamos um trem até a estação de Almeida Brandão, onde, por fim, alugamos uma carroça e seguimos até o destino.
Tudo era fascinante para mim em meus dez anos de descobertas do mundo, que até então se resumia à Península de Itapagipe, principalmente ao complexo habitacional dos Alagados, onde morávamos, e à floresta de São Bartolomeu.
Quando chegamos na roça de Vô Izidoro, entre 10 e 11h, um mundo de parentes já se encontrava por lá fazendo movimentos na porta da casa, em derredor das árvores, na beira do rio, no pátio e em todo o derredor. Quando nos viram foi aquele abraça-abraça.
Havia parentes de Cachoeira, de Santo Amaro da Purificação, de Itiúba... Todo mundo reunido, como há muito não se via.
Vô Izidoro veio nos receber cheio de alegria.
- João, meu filho! Pensei que não vinham mais! Que demora! Já tamos brincando desde cedo!
Após as bênçãos, pai tentou justificar:
- A gente mora num perto longe, porque não tem transporte direto...
Vô Izidoro cobrou de mãe: - Zeferina, minha nora! Trouxe um pedaço de fumo da venda de seu Arnaldo pro véio?
- Oxente! – respondeu mãe. - E eu ia deixar de trazer?
- E tu, Olavo? Tem estudado muito?
- Sim, vô! – respondi com firmeza.
Entramos. Comecei logo a correr de um lado pro outro, revendo os que eu já conhecia e os que ainda não. Tinha uma roda de capoeira, tinham umas três rodas de samba, roda de bate-papo dos mais velhos, brincadeira de roda das meninas. Devia haver mais de cem pessoas.

Era a festa de aniversário de cem anos de Vó Cloa, mãe de Vô Izidoro, minha bisavó paterna.

Depois de vê-la sentada em sua cadeira de vime e pedir-lhe a bênção, eu fui me banhar no rio, juntamente com alguns primos. Era minha diversão predileta.

Ao meio-dia em ponto, a tradicional marimba percutiu estridentemente. Era o pregão para o grande almoço, para mim o ponto alto da festa.
Corremos e nos preparamos. Era a hora também de a aniversariante aparecer no terreiro.
Pararam todas as atividades recreativas. Ficamos de pé em frente à casa, na expectativa.

De repente, bem devagarzinho... vinda de lá de dentro, ladeada por um grupo de mulheres idosas, apareceu a dona da festa: Vó Cloa, em seus quase dois metros de altura, imponente, séria. Agora sob o sol, seu rosto singular ficava muito mais expressivo. Era um rosto petrificado pelo tempo, sem rugas, sisudo. Olhos miúdos, nariz achatado, lábios grossos, faces reluzentes. O negror de sua pele era fortíssimo, brilhante, impactante. Usava um torço branco. Trajava uma camisa azul-céu de cetim com mangas compridas e uma saia branca cheia de babados.
Quiseram ajudá-la a andar, mas ela recusou com seu vozeirão ainda imperioso: - Deixa! A velha tá velha, mas ainda aguenta se apoiar sozinha sobre os pés!
Aplausos calorosos. Todos gritaram: “Viva Vó Cloa!” “Muito bem!” “Saravá!”
A parentada foi abrindo espaço e ela seguiu devagar e altiva até a cabeceira da mesa grande sob um velho abacateiro em frente.
Como sempre fazia, chamou os mais idosos para tomarem assento à sua direita e os mais novos, inclusive eu, à sua esquerda. Cerca de vinte privilegiados no total. Os demais ficaram de pé.
Ela fez menção de que queria falar.
Silêncio total.
- Meus filhos. Eu não esperava que iria chegar à casa dos três algarismos, não. Mas, já que cheguei, tô muito feliz. Os mais velhos já conhecem a minha história. Mas vou repetir alguma coisa para os mais novos que estão chegando agora e que ainda têm muita poeira pela frente.
Eu agucei os ouvidos.
Ela principiou: - Eu nasci em 1850, no meio do oceano Atlântico, dentro de um navio negreiro.
Sua voz era forte, mistura de contralto com baixo, inimitável, única. Ela prosseguiu, falando devagar, mas firme: - Minha mãe, que na sua tribo de gigantes se chamava Danuwa, mas que aqui recebeu o nome de Maria de São Pedro, veio trazida do Império do Benim, como escrava... numa das últimas viagens de navios negreiros... Justamente naquele mesmo ano baixou uma lei proibindo o tráfico de negros escravizados da África...
Parou um pouco. Respirou fundo. Prosseguiu: - Antes de eu vir morar aqui nesta floresta, com dez anos de idade, minha mãe sofreu muito! Sofreu muito para me manter viva! Trabalhou duro como escrava na casa dos brancos... Ela era muito alta, muito valente e também muito desaforada! Não se adaptou à condição de escrava. Aliás, escrava, não! Escravizada, como ela fazia questão de frisar. Ela não sabia fingir. Não aceitava fingir. Não tinha jogo de cintura. Não ria para nenhum branco. Sofreu maus tratos, torturas, toda sorte de judiaria!
Vó Cloa calou-se um pouco, emocionada. E eu fiquei tenso.
Ela prosseguiu: - Um dia, em 1860, o sinhô-moço da última casa onde ela trabalhou, descobriu ela fazendo uma coisa totalmente proibida para um cativo naqueles tempos. Minha mãe foi descoberta lendo um livro! Descobriram que ela tinha aprendido a ler! Concluíram que ela queria ter o conhecimento dos dominadores! Que ela queria deixar de ser cafre! Para quê?
Daí em diante ela falou com tristeza e visível emoção.
- Três ou quatro homens fortes arrastaram ela para o quintal da mansão, bateram nela bastante, sob as vistas do sinhô e da sinhá e sob as minhas vistas também. Depois obrigaram ela a comer todas as páginas do livro. Todas as páginas! E ela, meio desfalecida, sangrando, comeu... teve de comer... folha por folha. Folha por folha! Eu chorava baixinho, segura por uma mucama velha. Foi muito duro ver aquilo acontecer com minha mãe... na minha frente! Mas eu aguentei firme, porque eu sabia que minha mãe é quem sofria de verdade. Tudo que ela sofria era motivada por uma única coisa: o amor que ela sentia por mim. A vontade de me ver crescer e ser livre! E ser feliz! Até hoje eu tenho muita pena da minha mãe! Como ela sofreu! Minha pobre mãe...

Já havia várias mulheres chorando. Os homens em silêncio, cabeças baixas. As crianças assustadas. E eu imaginando...
Ela continuou:
- Dois dias depois, quando se recuperou um pouco e saiu do calundu, minha mãe me chamou em segredo e disse que iríamos fugir. Procuraríamos um quilombo, para ganhar a liberdade, mesmo que fosse uma liberdade às escondidas. Mas ela me disse que a gente não ia apenas fugir, não. Disse que levaria também um monte de livros para ler e para me ensinar a ler. Ela raciocinou que o negro ou o pobre sem leitura permanece cafre, submisso, comendo no prato dos poderosos de qualquer cor, sem valor, sem futuro. Ela queria que ficássemos tão sabidas e independentes quanto os brancos poderosos da época e que conhecêssemos as mesmas coisas que eles. Que já nos preparássemos para os tempos após a abolição de que já falavam muito. E ler livros seria o primeiro passo. Para ela, ler todos os livros que pudéssemos era a arma para garantir a liberdade depois, em várias frentes.
Isso ela falou fixando bem os olhos nos da esquerda da mesa. E prosseguiu, agora mais animada: - Minha mãe conheceu uma irmandade de negros que intermediavam aquilombamentos. Engajou-se. Depois de uns dois meses, numa noite de lua cheia, ela e eu conseguimos fugir da casa onde trabalhávamos, com a ajuda de uns irmãos quilombolistas, que acertaram e facilitaram tudo. O que atrapalhou um pouco foi o fardo de mais de cem livros que minha mãe insistiu em levar junto, furtados do porão da casa. Ela só iria com eles. Deu pra levar todos.
Foi uma fuga perfeita, sem deixar rastros. Também certamente nem fizeram questão de recapturá-la. Ela era mesmo uma péssima escrava.

Antes de amanhecer chegamos aqui, minha gente. Isto tudo aqui tinha feito parte do maior quilombo de Salvador. Tinha sido o Quilombo do Urubu, que ia daqui até as paragens do Cabula.
Eu dei uma rápida olhada em derredor do ambiente. Vi as grandes árvores, as plantações, o rio próximo, as poucas casas meio espalhadas. Imaginei quanta história estava guardada por ali...
Vó Cloa percebeu minha circunvisão: - Nenhuma destas casas que estão aqui pertenceu ao quilombo, que foi destruído pelas tropas do governo após a revolta libertária de 1826. Prenderam e mataram pessoas e destruíram as moradas... Mas não destruíram os ideais libertadores! Não destruíram as almas dos aquilombados! Houve a reconstrução do quilombo tempos depois, ainda que com bem menos casas e todas bem separadas umas das outras. Foi quando minha mãe e eu chegamos aqui, em 1860, em busca da nossa liberdade, ainda que clandestina, fugidas do cativeiro cruel.
Neste momento, Vó Cloa silenciou. Olhou para todos os presentes. Respirou fundo e ordenou:
- Bem... Chega de história! Agora, vamos almoçar!.
Serviram-se os pratos. Primeiro para os da mesa. Depois para os circundantes, que se assentaram em mesas menores e embaixo das árvores.

No descanso do almoço, aproximei-me de Vô Izidoro e perguntei baixinho: - Vô, posso fazer uma pergunta?
- Claro, Olavo! Pode perguntar.
- Onde ficaram os livros que a Vó Danuwa trouxe pra aqui?
- Eu ainda alcancei muitos desses livros. Cheguei a ler dezenas deles, mas houve um tempo em que minha avó tocou fogo em todos. Passou a entender que os livros dos brancos eram mentirosos, que eram a cara dos próprios brancos. Ela já sabia muito. Lia até em francês. Mas, principalmente, ela já pensava muito. Aprendeu a tirar suas próprias conclusões. Começou a não aceitar mais as histórias que os livros contavam e até proibiu minha mãe de continuar a lê-los. Eram livros editados na Europa, sobre o padrão de vida europeu. Os negros nunca eram citados como seres humanos normais. Eram referidos como seres inferiores. O Brasil não tinha editoras. Tudo era selecionado pela igreja e pelo governo. Mas, o mais importante ela legou para minha mãe, que também legou para mim: as histórias. As histórias da África, as histórias do povo negro, as histórias da nossa cultura popular, nunca prestigiadas pelas elites, nunca escritas nos livros...
- Mas... Ela queimou mesmo todos os livros?
- Bem... Todos, não exatamente. Preservou uma meia dúzia. “Os livros da sabedoria universal”, como ela dizia. Até hoje estão guardados aqui em casa. E guardou também os últimos que adquiriu, já no fim do século passado, de autoria do poeta Castro Alves, que ela dizia ser o único branco para quem certamente a negra Danuwa daria um sorriso. Quem sabe um dia você não vai ler todo o restante desse acervo que ela nos legou?
- Ah! Vou querer ler, sim. Já posso levar um hoje?
- Por enquanto, não. Vou falar primeiro com a velha. Minha avó fez questão de ensinar tudo que aprendera e sabia para minha mãe. Os escravos e também os negros forros não podiam estudar regularmente, mesmo depois da abolição. Sua Vó Cloa só pôde entrar numa escola no início deste século, para conseguir um diploma. Sofreu humilhações, chacotas e perseguições, principalmente por causa da sua epiderme negra, da sua altura, da sua feição dura, da sua idade e até por causa da sua voz forte. Mas ela era determinada. Suportou todas as discriminações e venceu. Conseguiu o diploma de professora com mais de sessenta anos, com louvor.
- E ela foi mesmo professora?
- Tentou, tentou, mas não conseguiu ensinar em nenhuma escola oficial. Uma mulher negra não podia ensinar, muito menos uma africana. Para a sociedade baiana do início do século, isso era inconcebível. Foi algo que entristeceu demais a minha mãe. Ela acabou por desistir de se profissionalizar e resolveu montar uma escola primária aqui na floresta mesmo.
- Mas como ela sobrevivia?
- Ela conheceu meu pai, que era índio descendente da antiga tribo local dos Tupinambás, que habitaram estas paragens bem antes do Quilombo do Urubu. Ele vivia da caça na floresta e da pesca aqui no Rio do Cobre. Apoiada pelo marido, ela então resolveu ensinar de graça aos meninos pobres da própria floresta, que vieram dos subúrbios de Plataforma e Lobato e também do bairro de Pirajá. E ela acabou gostando, porque tinha liberdade de ensinar o que queria e como queria. Eu mesmo fui seu aluno, a partir de 1890, bem antes dela se formar, quando eu contava dez anos de idade, a mesma que você tem hoje. Mas ela não aliviava pra mim, não! Exigia de mim tão duramente quanto dos outros meninos. E eu aprendi não somente a língua portuguesa, mas também o francês e o ioruba. Aprendi com exemplos da cultura local, da natureza, do rio, das cachoeiras... Durante muitos anos, ela dava suas aulas ali, à sombra daquela jaqueira. – apontou para a jaqueira enorme que havia a poucos metros da casa. – Ela tinha descoberto que estudar em contato com a natureza ajuda na fixação dos assuntos. Havia sempre atividades ligadas ao meio ambiente. O rio, as árvores, os animais, tudo oferecia material didático para suas explicações. O rendimento da classe era sempre satisfatório. Minha mãe se realizou como professora e melhorou as condições de vida de muitos. Hoje, com o peso da idade, ela só ensina dentro de casa mesmo, alguma coisinha ou outra, como reforço escolar. Mas o amor pelo seu mister nunca se apagou.
Vô Izidoro parou um pouco. Mostrou-se saudoso. Mas prosseguiu firme. - Ela especializou-se em ensinar a ler. Não a ler simplesmente, mas a ler entendendo e interpretando. Ela nos ensinou a desconfiar de todas as leituras, a não aceitar nada sem uma avaliação, sem uma análise. Queria que tivéssemos nossas próprias ideias, ainda que tomando como base as ideias alheias. De certa forma, foi uma influência da mãe dela, minha avó Danuwa.
Depois de uma pausa, veio-lhe uma ideia luminosa: - Mas hoje você já levará o velho candeeiro da vovó. Ela o deixou pra mim. Como eu não estudo mais, vou passá-lo pra você alumiar seus livros na calada da noite. Olhe a responsabilidade, heim!
- Pode deixar comigo, vô! – Falei irradiante de alegria.

De repente, o sinal dos tambores. Hora da festança. Houve vários discursos e rituais africanos e caboclos. Muita dança, capoeira, cantigas... Tudo muito simples e voltado para a alegria de Vó Cloa.
E, como era tradição no terreiro, houve o momento do jongo, dançado só pelos mais velhos. Vô Izidoro teve sua participação cheia de volteios, certamente aproveitando-se de que era um antigo mestre de capoeira. E ele convidou Vó Cloa para participar um pouco da roda, como era tradição. A centenária relutou, relutou, mas em face da insistência de todos, seguiu lentamente até o centro da roda, segurou a saia e ficou mexendo o corpanzil, tentando ensaiar uns requebrados... devagarzinho... só para constar. Foi um êxtase geral!
Àquela altura, eu estava já impressionado, não só com a vivacidade e a imponência de minha avó Cloa, mas com toda a sua história.
No final da tarde, já no arrebol, a festa terminou. Grilos e sapos anunciavam a noite próxima. Abraçamo-nos todos e nos despedimos de Vó Cloa, de Vô Izidoro e dos demais parentes.
De cima da carroça fiquei olhando para a paisagem da floresta, já com saudade de tudo e de todos, com um nó na garganta. Na canoa novamente, navegamos lentamente na noite calma da enseada dos Tainheiros, voltando para casa. Foi quando eu acendi e fiquei segurando o candeeiro que ganhei de presente. Imaginei então que viajávamos intrepidamente num ex-navio negreiro, vindo da África para o Brasil, não mais como escravos, mas como libertadores pela chave do saber.
Chegamos de volta aos Alagados tarde da noite, eu já determinado a estudar com mais afinco dali em diante. Varei quase a noite toda ao pé do nosso novo candeeiro, que deixei de pavio curto para não incomodar, mas com luz suficiente para me permitir estudar na enciclopédia, entre outros assuntos, principalmente, sobre o Império do Benim, que logo fiquei sabendo ser hoje o país da Nigéria. E para lá eu passei a imaginar que, quando crescesse e me formasse em Engenharia, iria construir a maior ponte de todo o mundo, como uma extensão da Ponte das Varinas, onde morávamos em nossas palafitas. Imaginações de menino.

Desde aquele encontro familiar, fiquei ainda mais fissurado em leitura. Passei a ler de tudo, mas retendo o que somava para a formação do meu próprio livro da vida.
Diante de tudo o que eu lia e estudava, passei a construir também meus entendimentos, minhas interpretações, minha própria redação. E fui ampliando, assim, minha visão de mundo, minha criticidade, meu discernimento. Tentei honrar, como legítimo herdeiro, a lição de vida da africana Danuwa, a pioneira da nossa linhagem de saber, de honra e de amor.



FIM

JOSÉ SIQUARA DA ROCHA: CENT JAROJ DA ESPERANTISTECO KAJ AMO

La bahia esperantisto José Siquara da Rocha  (josiquara@hotmail.com;josiquara@gmail.com) centjariĝas en ĉi tiu monato marto. Kiam li naskiĝis (en la bahia urbo Belmonto, en 1915), tiam Lazaro Ludoviko Zamenhof ankoraŭ vivis! Do ili estis samtempuloj, almenaŭ dum du jaroj.

Siquara postvivis Zamenhof kaj multajn aliajn post li, kaj ankaŭ multajn generaciojn da aktivuloj.

Koincide li same fariĝis kuracisto, kaj, kiel tio, li ankaŭ volontulis ĉe mizerejoj en Pilorio (malnova kvartalo de la urbo Salvador). Ĉu povas esti, ke li inspiriĝis de sia majstro el Bialistoko, kiu ankaŭ uzis sian kuracistan profesion por helpi napagipovulojn reakiri la sanon kaj ankaŭ vidi pli bone per la okuloj de la karno, same kiel li faris pri Esperanto, kiu helpas la homojn pli bone vidi per la okuloj de la animo?

 En la tumultema nuntempo atingi la centjariĝon ne estas facile. Tamen, ĉar Siquara agadis en multaj praktikaj kaj socie bonfaraj idealoj, interalie Spiritismo kaj Esperanto, mi kredas, ke li akiris viglon kaj sanon per la elĉerpo de diafanaj energioj el la ĉieloj, por ke li plu agadu tie ĉi sur la tera krusto ĝis nun.

 Estinte lernanto de Leopoldo Knoedt en la kvindekaj jaroj, li komencis instrui Esperanton post nur du monatoj da lernado.

Li estis aktiva esperantisto ĝis antaŭ kelkaj jaroj, kiel sindediĉa kaj senlaca instruisto, sed, eĉ post kiam li forlasis la instruĉambron, li plu agadis favore de Esperanto, kiel prezidanto de Bahia Esperanto-Asocio en Salvador, dum multa tempo, kaj aparte kiel donacinto de la nova sidejo de tiu tradicia loka esperantejo.

Poeto, li verkis belegajn poemlibrojn, inter kiuj “Dankon, Mia Amo”, plena de kortuŝaj amversoj.

Lia esperanta agado estis koncentrita kaj anonima, sed
sen ĝi la monda esperanta movado sendube estus malpli konata.

Li kompletigas sian centjariĝon. Espereble li povos plu rikolti el sia plenaga vivo multon da feliĉeco kaj amo, kiel rezulto de lia agado favore por la malriĉuloj kaj favore por la homaro.

sexta-feira, 13 de março de 2015

IO AŬ IOM PRI LA NOVTENDENCAJ PORESPERANTAJ PROPAGANDOJ

En tiu ĉi subfazo de la transira periodo de la Tero, inter du grandaj konsciaj civilizacioj, superregas la klareco, la socia inteligenteco, la informiteco (kvankam ne nepre la klereco, la saĝeco nek la ama inteligenteco, kiuj estas homaj atributoj pli ĝermontaj nur post ĉirkaŭ du jardekoj). Nuntempe necesas, do, poresperantaj propagandoj, agadoj kaj ekzemploj pli mojosaj kaj bazitaj sur realsciencaj perspektivoj. Ili estas pli allogaj kaj interesovekaj, almenaŭ al tiuj, kiuj emas al la konado. 


Nu, iel ajn, estas pli bona la tradicia agado de "verdaj papoj" (varbemaj idealistoj) ol nenia agado favore por Esperanto. 
Noteblas en la nuntempo granda marasmo kaj pasiveco flanke de multaj e-istoj, inter kiuj multaj eĉ estas aŭ estis kompetentaj aktivistoj en sia mensa junaĝo. Rimarkeblas granda mensa maljuneco kaj malvigleco ĉe esperantistaj vicoj, sendepende de ties fizikaj aĝoj, mi ne scias kial. Pro tio kelkfoje mi admiras la individuan klasikstilan propagandon de fora senlaculo. Lia izola kaj foje naiva agado servas kiel propagando por Esperanto, sed ankaŭ kiel nekonscia protesto kontraŭ la neagemo de la plimulto el la pasive kompetentaj movadanoj.

Jen tio ĉi estas la granda defio de ni, kiel esperantistaj intelektuloj: kunigi la fervoron de la mensa juneco kun la strategioj plej aktualaj en la tereno de komunikado kaj varbado, jen movite de la verdstela idealo, jen movite de la profitodona praktika realo. La homara grundo daŭre estas kultivebla per nia senĉesa semado, sed tamen se ni aldonos al tiu ĉi la rapidĝermigan sterkon de la elektronikaj rimedoj (kondiĉe ke tiuj ĉi ne kompromitu la naturecon kaj la integrecon de la grajnoj), des pli bone.
Grave tamen estas, ke ni semu kaj semu, neniam laciĝante pro malfido kaj pesimismo, kiuj konsistigas la plej danĝeran pandemion (tuthomaran malsanon) de la nuntempo.





segunda-feira, 2 de março de 2015

RETALHOS DIÁRIOS - RECORTES DE E-MAILS (MARÇO DE 2015)


SOBRE A CANÇÃO "CASA DE IRENE", DE AGNALDO TIMÓTEO


Eu me lembro de que, nos anos 60, quando eu morava lá em Serrinha (no sertão da Bahia), essa música do eterno Agnaldo Timóteo fez grande sucesso, e eu, na altura dos meus cinco ou seis anos, cheguei a perguntar a alguns  passantes próximos ao autofalante que irradiava a música (na Praça Luiz Nogueira), onde era a casa de Irene, porque eu queria ir lá para conhecer. Eu queria saber que casa era aquela, em que todo mundo vivia feliz, entrando e saindo, onde nunca havia tristeza... A Casa de Irene deveria ser o esperadoiro da felicidade.

Depois de grande foi que eu descobri que, em verdade, a casa de Irene da música era um bordel. Dedução talvez de gente adulta maliciosa. Mas não importa. Eu continuo ouvindo-a de vez em quando, e, nesse momento, vem uma saudade da infância feliz e, de alguma forma, a casa de Irene reacende suas luzes na minha memória afetiva.



Obs.: Eu me nostalgio muito quando ouço essa e outras pérolas da chamada boa música. Entretanto, eu não sou um saudosista de carteirinha. Sou supertemporal,  e agora com as disponibilidades internéticas e yutúbicas, eu tenho mais poder de viajar no tempo, em busca das minhas imagos, para trás e até para frente... (Ops!)

O bom é que nós temos a nossa própria memória, que tem um componente emocional e afetivo, que nenhum computador do mundo supre. A nossa infância inocente continua viva em nosso coração. Cuidemos de nunca matar a criança que existe em nós. A qualidade de vida de nosso futuro depende disso.


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 PEGUEMOS IMPULSO, RECUANDO PARA O PASSADO, A FIM DE MELHOR SALTARMOS NO FUTURO


Agora mais do que nunca precisamos voltar a certos hábitos saudáveis do passado, como uma preparatória para o futuro

Há até uns trinta anos atrás eu criticava muito os saudosistas, como se eles fossem semiesquizofrênicos da modalidade nostomania. Cheguei a censurar até o grande compositor Manacéa, por sua música “Quantas Lágrimas” ( http://www.youtube.com/watch?v=tzEJX7vX_GQ ). Hoje eu o entendo.

Agora estamos no “tempo do não tempo”, na entressafra, num certo vazio existencial em nível de cultura, lazer, espiritualização, religiosidade, sentimentos e prazeres simples autênticos, que são os que nutrem verdadeiramente a nossa alma. [São efeitos colaterais desta subfase da transição planetária, marcada pelo chamado tempo do não tempo, que deve perdurar até por volta de 2020.]
Estamos, principalmente nós, os citadinos “urbanoides”, sem referências naturais e ambientais que bastem para nos manter em paz e contentes com a vida. Quanto mais nos desnaturalizamos em nível de hábitos, mais comprometemos a nossa energia vital, cuja redução induz a estresse, num primeiro momento, e depressão, prenunciadora de morte ou de doenças mortíferas, num segundo momento.
Os "paraísos artificiais" que nós criamos, ou que nos têm sido criados, tendem a nos afastar de nós mesmos, da nossa essência espiritual, que gosta muito mais de frutas do que de barras de cereais.
Hoje eu tenho defendido o saudosismo como uma terapia. A lembrança ou relembrança dos bons momentos de outrora suprem um pouco a carência do cérebro por felicidade natural. E se pudermos reviver alguns desses bons momentos, ainda que por intermédio da própria tecnologia, por que não?

[Ou tudo continua como antes e foi apenas eu que mudei meus pontos de vista? Às vezes fico na dúvida.]

O presente, como um todo, com suas ondas de estresse e de pessimismo pandêmicos, não está nos oferecendo muitas opções felicitadoras.
Historicamente, vivemos das lembranças do passado e dos sonhos do futuro, não é mesmo?
Entretanto, se olharmos bem, com um olhar otimista, veremos que as expectativas positivas sobre o que vem por aí, especialmente a partir de 2020, também alegram ou podem alegrar a nós, especialmente àqueles otimistas esperançosos e que realizam seus ideais, justamente por causa dessa esperança com época marcada para virar realidade. Ademais, com nossos cálculos futurológicos, não esperamos mais tanto a vitória final dos nossos ideais num futuro incerto da humanidade. Hoje o que nos move ao trabalho de mangas arregaçadas é a certeza de que está para ocorrer, a partir de dentro dos próximos vinte anos, a vitória final da humanidade, ou melhor, da nova humanidade. Vencendo esta, ou melhor, implantando-se esta, haverá naturalmente espaço para a vitória dos nossos ideais desde já condizentes com o novo padrão de vida do planeta.

Já há coisas boas no ar, e elas serão a tônica no futuro a partir de daqui a uns cinco anos.

Por ora, em busca da saúde sustentadora neste mar revolto da pororoca transicional para a nova era, devemos ser passadistas, naquilo que nos alegrou, e devemos ser futuristas, naquilo que nos alegrará, agindo de acordo. Questão de fé e esperança convertidas em ação determinada. Questão de já irmos prelibando as primícias do novo reino, aqui e agora, enquanto trabalhamos nesta madrugada galáctica.
E como citamos “Quantas Lágrimas”, de Manacéa, cujo personagem sofria apenas porque tinha saudade do seu passado, citamos agora “The Silk Road” (http://www.youtube.com/watch?v=RWIr9-kbHJQ), do grande instrumentista japonês Kitaro. É uma música relaxante do new age, ao meu ver bem holística e futurística, e que é também uma terapia para os nervos, um chá sonoro de erva-cidreira, preparatória para a retomada do labor diário.
Enfim, podemos melhor estabelecer um estilo de vida estereofônico mais felicitador, com um canal sintonizado no bom passado e outro canal sintonizado no bom futuro. No meio estamos nós, vendo mais sentido no presente e, portanto, tendo mais motivação para avançar na lida dos nossos ideais.

Já que não podemos voltar ao passado, a não ser pela lembrança, precisamos é avançar, fazendo agora, de iniciativa própria, a realidade do futuro que queremos para nós e para os outros.
Se nada acontecer de palpável para nós no esperado admirável mundo novo, e se tudo isso tiver sido apenas sonhos utópicos, teremos vivido com mais qualidade de vida emocional, espiritual e, consequentemente, física neste nosso presente contínuo, o que é uma realidade que depende só de nós mesmos, porque está dentro de nós. Seja como for, terá valido a pena o nosso suor motivado por essa esperança calculada, pelo menos para nós mesmos, não importando quando teremos deixado o palco da vida, onde representamos por certo o nosso último papel encarnacional, antes de se apagarem as luzes da ribalta. Preparemos o cenário para a nova sequência de espetáculos encarnacionais dos novos atores, que não podem parar. Quem sabe não poderemos alguns de nós, atores da velha era geoteatral, ser aproveitados no novo Teatro, ainda que como anônimos contrarregras? Estais com o currículo em dia?

Consideremos, pois, que o futuro particular de cada um de nós está atrelado ao que cada um de nós faz no seu presente particular, em favor de si e, principalmente, em favor dos outros e de toda a humanidade.

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MANSIDÃO: A MELHOR ARMA CONTRA A GUERRA E CONTRA OS ESTRAGOS DECORRENTES

Quanto mais traumatizante, chocante e assustador for um conflito numa base social, mais estragos ele deixa e atrai, inclusive via natureza. O grande tiroteio que envolveu toda a sociedade planetária, direta ou indiretamente, no início do século passado, qual seja, a primeira guerra mundial, gerou um clima de tensão nos quatro cantos do mundo. Desencadeou vários estragos, inclusive uma gripe danada, que matou meio mundo de gente e que se chamou de gripe espanhola, deflagrada em 1918, logo após o fim da referida troca de tiros. Terá sido coincidência?
Já a segunda guerra mundial só não desencadeou grandes estragos naturais, porque gigantescas equipes de espíritos especialistas em limpeza braba foram convocadas pelas potências angélicas celestiais e assearam às pressas toda a psicosfera do continente europeu. 
Essas reações da natureza se observam em nível macro e em nível micro, até mesmo no campo de batalha do íntimo de cada um de nós.
Não à toa o estrategista bélico JC disse há dois mil anos que só os mansos  e pacíficos herdarão a Terra. Por trás dessa aparentemente simples bem-aventurança há muito mais coisa a se entender, inclusive do ponto de vista da Telecinésia, da Psicologia reativa, da Física de Movimentos, da Física de Partículas etc.


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COMO OS JOVENS DA ATUAL SUBFASE GEOTRANSICIONAL DEVEM SE VESTIR E SE EXPRESSAR SOCIALMENTE?

Em se tratando de expressões e aparências externas, as verdadeiras marcas e sinais que repelem as luzes e atraem as trevas quase sempre estão muito mais impregnadas no corpo aural e no corpo mental do que sobre o corpo físico.
Seja como for, contudo, em nossa sociedade atualmente muito conturbada e violenta, os jovens, se puderem reduzir o risco de agredir e de serem agredidos em função de seus trajes e linguajar excessivamente fora dos padrões, tanto melhor. Vivemos em uma sociedade (ainda) perigosa. É de bom tom não confiar muito, nem mesmo em seu próprio potencial luminoso. 

Até algum tempo atrás era interessante a ruptura de costumes no ocaso de determinados ciclos evolutivos sociais, em nome do avanço para novos ciclos. Porém, os dias correntes encerram um superciclo ou um ciclo sobre os ciclos, que tem exigido revoluções em nível muito mais profundo do que as revoluçõezinhas de época quanto a costumes e tendências sociais humanas. Em meio aos choques comportamentais intertemporais ou intercivilizatórios globais têm surgido à flor de algumas consciências muitas atitudes excludentes, odiosas, segregacionistas e torturadoras, não somente dos subsolos inconscienciais, como também de passados escabrosos mal resolvidos.  Muitas sujeiras velhas e tóxicas têm sido expurgadas de debaixo dos tapetes conscienciais de alguns indivíduos e de algumas coletividades, acumuladas muitas delas há mais de mil anos. Convém, pois, manter alguma cautela, ainda que não necessariamente prestigiadora da cafonice e da sem-gracice.
Em qualquer lugar e época, a sobriedade, neutralidade e simplicidade no vestir e no se expressar ainda são o melhor salvo-conduto no trânsito citadino, mesmo que a melhor apresentação em público continue sendo invisível aos olhos.


Enfim, em que pese ao dispositivo bíblico, de que ninguém está escape de sofrer infortúnios, eis as posturas mentais e vestes ideais no atual dia a dia em sociedade: mente limpa, cérebro limpo (principalmente de drogas, inclusive alcoolina e nicotina), além de pensamentos, palavras e ações sempre positivas e roupas sempre discretas, simples e o mais agradáveis possível aos olhos gerais, objetivamente. 
Ninguém está escape, mas quanto mais se se resguarda de riscos, tanto maior a probabilidade de se ir e vir por aí sem maiores avexamentos e tanto mais se afasta a incidência da Lei de Murphy. Questão de matemática. E se alguém, além das precauções referidas, armar-se dos equipamentos de proteção individual em forma de prece, exercício diuturno das virtudes difundidas por Jesus, em especial a Caridade, a Humildade e o Perdão (ainda que cada um a seu jeito), pode circular por aí ainda com muito mais destemor e com muito mais desprendimento e autoconfiança, mesmo usando tatuagens, piercings, cabelos punk e outros modismos contemporâneos, querendo. Neste caso, está sob a melhor das blindagens, padrão ISO 20000. Tem muito mais segurança e favorecimentos da lei da probabilidade. Tudo isso baseia-se no Evangelho puro daquele jovem galileu, que ainda hoje guarda seus traços revolucionários.
Alguém completa com algum raciocínio? Alguém corrige? Estou eu mesmo fazendo um discursozinho psicoterrorista subjacente? Devo aliviar então o discurso? Ou devo apertar mais o parafuso?

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“MANHÃ DE CARNAVAL” - CONTO OU DEIXO?

“Manhã de Carnaval”:


Essa música me faz lembrar de quando eu fora marítimo nos mares da Oceania, há uns quarenta longos anos. Certa vez, enquanto meu navio era consertado num estaleiro de Port Moresby , em Papua Nova Guiné, eu soube de um grupo de moças que cantava numa boate nos arrabaldes da cidade. Eram brasileiras. E então eu, me lembrando que também fora brasileiro na infância, corri para lá, a fim de assistir à performance delas e, quem sabe, matar a saudade daquilo de que há muito já não mais me lembrava. Fiquei maravilhado, absorto, encantado, abduzido. Fui a todos os espetáculos durante toda a temporada. Eu era o último a deixar de aplaudir e a sair para ir embora. Houve dias em que só ficava um espectador até altas horas: eu. No começo, tudo bem, mas depois só havia um momento em que eu não aguentava ficar e então saía para respirar um pouco de ar puro. Era justamente quando reouvia “Manhã de Carnaval”, de Luiz Bonfá e Antônio Maria, que me arranhava um pouco o coração petrificado pelo salitre do mar, não sei por quê. Quase de mais nada eu sabia da língua portuguesa (eu havia saído do Brasil por volta dos quatro anos), mas essa música eu entendia inteirinha. Era estranho. Voltei para o mar, mas com aquela infinita vontade de um dia ser brasileiro novamente. Seria possível? Bem, estou aqui lhes falando em bom português, não é mesmo? ☺

[Imaginar é preciso; viver, só para contar histórias, que são a única realidade tangível que existe para nós.]

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SOBRE A CANÇÃO "SAIBA", de Arnaldo Antunes

Essa canção espelha a velha ciclicidade civilizatória da Terra até agora: nascer puro e tornar-se impuro quando crescer (salvo as poucas exceções entre as pessoas nela citadas).

Acreditamos que atualmente tem nascido uma nova geração de crianças que vai quebrar esse ciclo. Esta vai crescer e não vai se corromper, pelo menos nos moldes vistos até então. Vão iniciar, como pioneiros, uma nova era humanitária para a Terra, daqui a uns vinte anos, quando estiverem à frente do poder político, econômico, social e cultural. Que fator anticorrupção eles terão em seu favor, para não se tornarem os "anjos decaídos" reciclados de sempre? 

Se ainda estivermos por aqui, nos chamem pra conversarmos sobre o assunto. Veremos se o ciclo terá efetivamente se quebrado, ou se tudo estará como dantes no quartel de abrantes.

[Vale destacar que uma das piores corrupções ou traições da pureza é o egoísmo existencial, ou seja, é o querer ser feliz apenas com a realização de sonhos e desejos pessoais ligados ao próprio ego.]


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CRISE IDENTITÁRIA APÓS O 13 DE MAIO

Meu avô me contava vez em quando
que o avô dele sofreu crise identitária
após o treze de maio.
Como não tinha pra onde ir,
parente a procurar,
estudo a aproveitar
ofício a alugar,
perguntou ao ex-senhor:
e agora ioiô, o que é que eu sou?
e pra onde é que eu vou?

Viu irmãos de cor ficarem onde estavam,
outros partirem para outras bandas,
alguns voltarem até para a África...

E ele aprofundou o questionamento:
o que é que eu sou?
pra onde eu vou?
Ex-escravo deserdado,
sem destino, sem futuro, sem dinheiro?
Africano despatriado, que poderia tentar voltar?
Ex-falante de iorubá, que poderia tentar voltar a falar?

O ex-senhor então falou:
Tu não tem mais nada não,
tu não é mais nada além,
te ofereço empreitada,
mesmo com pouco dinheiro,
és agora só uma coisa
tu só és é brasileiro.

E eu pensei.
Pensei, pensei e então fiquei.
Eu podia não ter nada,
sem saber, sem dinheiro e sem rincão
mas isso ao menos eu sentia ser:
um brasileiro.
Eu sabia que não teria
mesmas condições que outros,
mas seria igual aos outros
na sensação de ser brasileiro,
ah, isso ninguém ia tirar de mim, não.
Tal sensação era minha única propriedade.

Eu então aceitei e então fiquei,
me sentindo feliz com o que só eu sou,
eu sou brasileiro.




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ONDE ESTAREMOS EM 2060?

Perfeito, Osvaldo! Anotei o nome do filósofo!
O afastamento crescente dessa consciência una homem-natureza está fazendo milhões adoecerem gravemente ou até morrerem, às vezes por qualquer motivinho, que outrora se resolvia com uma aspirina ou uma boa noite de sono.
Se não cuidarmos melhor de nossas saúdes e não buscarmos urgentemente voltar a uma vida simples e naturalmente sustentável, vai chegar um tempo, não muito distante e dentro dos próximos anos, em que o sistema de defesa imunológico e espiritual de pelos menos 80% dos bons vivants, que antigamente jogavam as cajás e enfiavam o pé na jaca adoidamente e nada sofriam, estará que nem o cantareira, ou seja, dependendo do volume morto para se abastecer. Infelizmente a ficha da humanidade ainda não caiu para essa necessidade urgente. 

Quem, portanto, antecipar um estilo de vida quadridimensionalizado desde agora, ou seja, já cuidando mais das suas saúdes mental, emocional, física e espiritual, sacrificando certos prazeres, sentimentos negativos, desamores e vícios gustativos, emotivos e comportamentais, terá tudo para ter uma alta longevidade bem saudável e ativa na sua idosidade, porque usufruirá, também, dos eflúvios vitamínicos e supermineralizantes já advindos com os ventos solares, que para uns, despreparados, infelizmente serão tormentas absínticas intoleráveis.  [Claro que certas doenças e certos desencarnes que não dependem da nossa causa continuarão existindo. Deus sempre sabe o que é melhor para nossa vida, inclusive quando nos concede a irmã dor ou a irmã morte, mas aí é outro mistério.]

Pode ser mais ou menos por aí, ou estou sob algum delírio sociofilosófico ou simplesmente imaginário? ☺



Em 3 de março de 2015 13:09, Osvaldo escreveu:
Amigo(a) Madragoa,

A transição planetária virá por bem ou por mal. Os sintomas ambientais já servem de alerta para a tomada de posições a favor de um modo de vida diferente desse consumismo capitalista exacerbado, um estilo de sociedade a lá Big Brother; que impõe a competição no convívio social, familiar e até mesmo afetivo.

Eu gosto das ideias do filósofo ecologista Arne Naess, que concebe a ideia de ecologia profunda, isto é, de unidade com todas as coisas. Concebendo o homem não como parte da natureza, mas a própria natureza. Se um índio dizer que é irmão de uma onça, isso não surpreende o filósofo Naess de forma nenhuma, porque para ele somos "parte" do mesmo todo que é a natureza da Mãe Terra.


Amigo Cezário,

A Terra tem sete biodimensões. E cada uma delas tem seu lado material e seu lado espiritual.

A crosta da Terra, que é o chão onde pisamos, também tem sua dimensão espiritual, onde muitos desencarnados passam a residir, estudar, trabalhar. O problema é que há um bulling espiritual dos encarnados sobre eles, que são cruelmente chamados de zumbis, fantasmas ou almas penadas. Porém, tais desencarnados, mas não descrostados, são seres humanizados normais, muitos deles com os mesmos aspectos e mesmas necessidades, desejos e sonhos de quando estavam encarnados na subdimensão crostal. Pisam o mesmo chão e frequentam os mesmos ambientes de antes, fazendo tudo quanto é atividade, nobre ou vil ou apenas neutra. Enfim, continuam humanos.Tudo é questão de propósitos e de necessidades (e também de autorizações superiores). 

Claro que os que pretendem viver bem aqui, mesmo quando estiverem no outro lado, ou seja, no além túmulo parede-meia, têm que cuidar da saúde física e mental desde já, para depois não saírem por aí parecendo aqueles mortos-vivos de "Thriller", do Michael Jackson, ou daquela série The Working Dead. ☺
[Acreditamos que boas obras no presente são o melhor passaporte para essa viagem ao futuro (ainda que cheguemos lá em outra cápsula carnal).]

Eu pretendo estar aqui na crosta terráquea em 2060, com bem mais de cem anos, ainda que vestindo outra roupa carnal mais sutil, porém testemunhando tudo o que estará acontecendo, e de preferência realizando as mesmas tarefas que faço atualmente, sendo que mais forte e mais saudável do que agora. [Certamente, como é de praxe, deverei antes passar por um estágio capacitador em região mais distante da Crosta, mas tudo bem. Espero não ser um estágio muito penoso, se é que você me entende. ]
O certo é que, se depender de mim, eu não perderei o espetáculo do ápice da transição planetária por nada deste mundo! ☺! Afinal eu venho estudando o assunto há tanto tempo... Tomara que eu tenha uma moral mínima para adquirir o devido ingresso, nem que seja para trabalhar no pesado, nos bastidores. Por que não? [Bem, desejar positivamente não ofende, não é mesmo? ☺ ]
Ou não é bem assim? Ou não é nada disso?


 




Em 1 de março de 2015 16:50, cezario

 
escreveu:
   Se eu viver até lá...
Terei cento e cinco anos!
É mais certo ter desencarnado
Vivendo em outro plano!
     cezario



---------- Mensagem encaminhada ----------
De: Ivan
Data: 25 de fevereiro de 2015 16:15
Assunto: Onde estaremos em 2060?
Para:
Onde estaremos em 2060